Ó poeta que me guias!
- virginiaelenaherna
- há 3 dias
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Ó poeta que me guias!
Nel medievo, Virgílio era considerado o poeta por antonomásia, o máximo representante da literatura antiga. Era o poeta da razão, do equilíbrio, da serenidade, da harmonia. Eis que na Divina Comédia, o melhor poeta da antiguidade ajuda Dante, e, por meio dele, todos nós, a se desfazer da loba, do leão e da pantera, isto é, da luxúria, da soberba e da avareza, para ascender à montanha da virtude. Virgílio o guia pelos três reinos do além, umas vezes exortando-o, outras acalmando-o, outras ainda admoestando-o. Mostra-lhe a realidade dos que sofrem, mas também dos que se purificam e dos que gozam da luz. Na Divina Comédia, a figura de Virgílio é uma homenagem ao poder da grande poesia para fazer propender ao bem e à verdade. "O conhecimento poético antecede à pesquisa filosófica das causas, dos porquês", dizia Giovanni Reale. É o primeiro degrau na ascensão da montanha. A figura de Virgílio guiando Dante é também um exemplo do que Robert Hutchings e Mortimer Adler denominaram "a grande conversa" do Ocidente, isto é, o diálogo atemporal entre os grandes autores da civilização ocidental, em que pensadores, poetas e filósofos respondem às vozes dos que os antecederam, adotando-as como modelo de vida, matéria de reflexão, etc.



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